5, maio, 2008 | UmMetrossexual.com

CONTO ERÓTICO

5 maio, 2008 por Gustavo Tijolo

Semana passada, eu recebi um e-mail de uma leitora que me enviou um conto erótico, e um dos personagens desse conto é um metrossexual, achei legal e vou publicar aqui…

Por Greta Brooks Naina Tie
Deitou-se sobre a cama ainda que esta não tivesse lençóis. Deitava-se confortavelmente sobre toda cama de homem, qualquer um, que conhecesse. Com exceção daquela espécie de tatame onde o australiano dormia sempre se acomodava bem. Aliás, era uma pena que um homem como aquele, com tanto potencial, beija-se tão mal.
Tirara parte da roupa, em parte seguindo as ordens do irish.
– You´d better be naked when I come back.
Ele a deixara só. Ela se divertia a imaginar o que fazia. Xixi? Pegar uma camisinha? O que, afinal, um homem faz no banheiro antes de se deitar com uma mulher?
Tira as lentes de contato. Não podia conter o sorriso ao perceber que o irish era praticamente cego e usava aqueles óculos quadrados com haste preta antes de dormir. A visão de super homem que fazia dele havia partido. Em seu lugar restava Clark Kent, que era muito melhor em sua opinião. Um homem com defeitos como os dela e que lembrava muito seu pai com aqueles óculos. Sentia-se tão mais à vontade para tirar a roupa… O irish que surgia era bem melhor que o da primeira noite que lhe pedira “Can you go down on me” 2 vezes no espaço de 4 horas.

Chamava sua atenção para o vinho Côtes du Rhone sobre sua estante que havia tomado antes de sair em sua noite de folga. Não havia feito para ficar bêbado como o faria um simples barman. Tal qual um sommelier achava o gosto extraordinário quando acompanhado de pavê de boeuf.
Era uma noite cheia de descobertas. Arrependia-se do que dissera em Dublin na semana anterior “Prefiro os que bebem cerveja”. Na realidade admirava quem bebesse por diversão. Especialmente os conoisseurs.
A maior surpresa da noite ainda estava por vir. Guardado na mesma estante design salpicada de quadrados vazios, um tubo azul com tampa branca recheado de líquido igualmente branco e viscoso que seu ex odiava. Era um hidratante nívea. Só podia ser dele, já que um terceiro roomate, também irlandês, que dividia a cama com ele – dormindo em um saco de dormir para que não houvesse toque – havia deixado Paris.
Blur total. Por um instante ínfimo sua mente entrou em estado de nirvana e conectou alhos a bugalhos. Lembrou-se da noite em que o conhecera no Highlander quando mostrara seu caderninho novo do Jean-Paul Gaultier adquirido como parte adjacente da revista Elle. “Cool isn´t it?” Esperava uma resposta masculina do tipo “Yeah” e em troca obteve um “Yeah, I love Jean-Paul Gaultier, that´s the perfume I´m wearing” Algo que cheiraria gay não tivesse ele a convidado a sentir seu cangote. Naquela mesma noite ele também havia feito qualquer comentário sobre seus lindos tênis novo e o tempo que havia gasto para encontrá-los.
Sem acreditar no que seus olhos viam pedira para usar o toalete. Entre a pia e a privada uma avalanche de cosméticos num armário. Perfumes, espuma de barbear, produtos cujo rótulo não lera. “Mas, afinal não moram dois homens aqui?”.
Foi quando deu por encerrado seu questionamento. Metrossexual. Era o que ele era gostasse ela ou não da palavra ou do conceito.
No dia seguinte, ainda contente pela noite que tivera, fitou-se no espelho. Seu rosto estava um belo lixo. Restos de rímel impregnados sob seus cílios davam às suas olheiras uma dimensão colossal. O cabelo com a raiz oleosa e a roupa do dia anterior também não ajudavam muito o conjunto de sua aparência.
Ao seu lado, surgindo inesperadamente a sua frente a lhe bloquear a imagem, o irlandês. E ai. Estava apaixonando-se de novo. Desta vez por um homem que dizia àquela hora da manhã. “My hair look so sexy today!”.
O problema não era seu narcisismo exuberante e muito menos sua falta de compaixão por uma criatura que se achava detestável após uma noite mal dormida. A grande questão é que começava a se importar com um homem que lutava com ela por um lugar frente ao espelho. Isso a assustava. Positivamente sentia um misto de horror e distanciamento por homens que às 8 horas da manhã lhe confessavam:
– I don´t feel pretty today.
– Neither do I baby, but who cares. You made me come that´s all that matters. – confidenciava a si mesma.
Tom, o australiano, preferia bananas a um belo croissant de amêndoas pela manhã. Estava na França, era verdade, mas, sobretudo, estava de dieta.
De certo modo, sua insatisfação era ainda maior com aqueles que dependiam de seu julgamento para se sentirem belos.
————————————————————————–
Ele vestia-se para comprar uma baguete e a apressava. Na rua despedira-se com um beijo e um “Good bye, my darling”.
Foi o bastante para considerar dar a ele uma chance.

 


Categoria: Sexo | Sem Comentários »